26 de mar de 2014


Sentada na areia quente da praia, ela via as horas se arrastarem lentamente.
Escorregarem tediosamente naquele monótono dia de domingo. 
Mais a frente crianças brincavam e suas gargalhadas eram como sedativos para sua dor, bem lá dentro.
De relance olhou para uma mesa ali perto.
Um casal conversava tranquilamente. Eles sorriam vez ou outra. Era nítido o amor que, pequenino ainda nascia entre eles. Já era notavel. Estava nos olhares.
Desviou sua atenção para o mar, o barulho das ondas quebrando nas pedras a fascinavam.
E ali pertinho, o oposto. Um casal de velhinhos abraçados, parecia comemorar longos anos de pura felicidade. Um amor maduro, contente.
Não pôde deixar de pensar, se o amor do primeiro casal cresceria de tal forma.
Para ela, chegava a ser constrangedor pensar no amor.
Pra não dizer doloroso.
Mas ali, diante dos ultimos fragmentos alaranjados do por do sol, deixava suas más lembranças no fundo do mar. E implorava, por felicidade!

10 de mar de 2014


Sentimentos. Que nunca valeram de nada pra você, que nem sequer me amar, amou. Eu sei que nunca fui suficiente pra você. Nem pra você, nem pra ninguém. Pode confessar, que nunca fui a peça que faltava no seu quebra-cabeça, ou a chave que abriria o seu cadeado. Eu não era de nada pra você. “Quem garante que eu não estava lhe servindo, apenas para tapar buracos e curar feridas?” Ninguém. Poxa, eu sei que fui muito burra. Tão, mais tão, que pude acreditar em meras palavras. Palavras de promessa. Que obviamente, não se cumpriram. Pois agora, não acredito mais em nada. E tudo graças a você. Ô, pelo menos uma coisa boa né. Me ensinou algo que valeu a pena. É, tu me ensinou a ser forte, não acreditar em qualquer “eu te amo” de esquina não. Que quando a gente ama alguém, a gente prova do jeito mais bonito. É, coisa que você fez. Só que tinha um problema: era tudo mentira. Não, mas agora é sério, não vou mentir. Você me ensinou a amar. Você,  me ensinou a te amar. E hoje, eu amo as coisas da maneira mais bonita que sei. E eu ainda te amo. Mas quer saber? Chega. Chega de bancar a dramática e a chorona. Chegar de enfiar minha cara no travesseiro pra não ouvir os meus soluços. Chega de passar maquiagem pra disfarçar as olheiras, de noites mal dormidas e dias solitários. Chega, chega. Agora, eu vou mudar. Por que, saiba, que nem você nem ninguém, com toda sua falta de amor, vai acabar comigo. De novo. Saiba que agora, eu não me vou me importar mais. Com todas essas coisas que passaram, com tudo o que passamos. Passado é passado. Fica lá trás, pra trás. Exatamente agora o que eu tenho de melhor á fazer é esquecer. Mas esquecer tudo, tudo, de verdade. Por que eu sei, que nada, absolutamente nada, vai voltar. Eu não sei se queria essas coisas ficassem lá, presas no passado. Esperando ninguém as tirarem de lá. Mas aliás elas já estão sendo esquecidas por mim, quanto mais por você. Já foram. Pois eu as joguei todas fora. E eu sei que a minha parte eu já fiz. A sua, você nunca fez, porque talvez nunca tenha existido. Mas agora, dane-se também, eu não nasci pra sofrer, me humilhar e tudo mais, por você. Já basta. Bem, mas poxa, você não teve nem um pouquinho de consideração por mim? Diz mesmo pra que você me queria na sua vida. Era pra usar, pra testar sua capacidade de esquecer, magoar, humilhar, alguém tão fácil? E quando não desse mais, simplesmente jogasse fora, no lixo. Foi o que você fez comigo, e agora foi, o que eu fiz com nós. Aliás, não só com nós mas com todas as nossas coisas. E sinceramente, a única coisa que eu espero realmente, é que a droga do caminhão de lixo, passe logo, porque eu não aguento mais olhar da janela, pra aquele saco de lixo na calçada e ficar com uma vontade imensa de abri-lo. Talvez pra relembrar, pra consertar…qualquer coisa. Qualquer coisa que me trouxesse você de volta.