1 de mar de 2012

Era doce, a menina. Trazia certo mel nas palavras e era incrível o poder que tinha de me fazer sentir bem.
Mas era doce e triste. 
Confesso que poucos podiam ver a sutil tristeza que existia em seu olhar. Apesar de ser  intensa no seu íntimo. 
Seus olhos eram pintados de uma nostalgia utópica e, não sei porque, me lembravam sangue. Dentro deles havia um rio inteiro que corria devagar, para não assustar os passantes.
Eu quero te proteger, pequena. Quero ter braços longos o suficiente para te aquecer.
A noite segue lenta, sem se abalar com o que acontece aqui. 
Olho as estrelas e não consigo deixar de pensar em ti. 
Quis voar. Então, percebi meu corpo ficando mais e mais leve. 
Vi meus pés saírem do chão. Era você que flutuava.
Você tinha asas tão bonitas como as das borboletas, minha menina. Voei com você. 
E implorei:"Por favor, linda garota não se detenha nessa esquina tão insegura. O universo nos espera". Acalmei, enfim. Adormeci.

Um comentário:

  1. É que nossos olhos tem o incrível dom de guardar tudo o que a memória se recusa em aceitar. Não há escape. Realmente é a janela da alma, onde se escondem todos os segredos...
    Lindo, parabéns!

    Sopros de Luz!

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